Micos em inglês – mais um relato


Escrevendo o post anterior, me lembrei de vários micos que já cometi por aqui, assim como de alguns clássicos que ouvi de amigos, e resolvi compartilhá-los. (devo ter tomado palhacitos no café, hoje estou num espírito de rir de mim mesma – e dos outros – impressionante! rs)

– quando eu trabalhava num restaurante, algumas vezes me pediam um molho que eu não entendia bem o nome, entendia algo como “oyster sauce”. Na minha cabeça era um molho pra comer com ostras e eu chegava na cozinha reproduzindo isso. Na maioria das vezes me entendiam, ou me corrigiam a pronúncia mas eu não entendia o motivo da correção, parecia a mesma palavra, então ficava por isso mesmo. Até o belo dia em que eu, passeando pelo mercado, descobri que se tratava de “worcestershire sauce”, o nosso molho inglês… Até hoje me enrolo pra pronunciar isso, talvez fosse melhor ter ficado na ignorância…

– tenho uma amiga brasileira que diz ter muito problema em formular as perguntas em inglês, colocando os verbos no tempo e posição certa da frase. Então ao invés dela dizer “Have you finished your meal?” ela dá uma enrolada e solta algo como um sussurro ininteligível + “finish your meal” com entonação de pergunta. Parece funcionar, mas eu nunca tive a cara de pau de tentar…

– essa mesma amiga me contou que trabalhando em restaurante as pessoas nunca entendiam quando ela pronunciava a palavra “tartare” (de molho tártaro. Eu por sinal tinha o mesmo problema). Então ela ia tentando várias variações na pronúncia, tipo “tartáre”, “tarteir”, “tártar”, até alguém entender ou ela chegar ao fundo do poço e ter que soltar um “aquele molho verde que vc usa pra comer com o peixe, sabe?”

– o Thiago me contou que uma vez estava conversando com o chefe imediato dele no escritório e o chefe perguntou pq ele tinha decidido adotar o novo visual de barba. No que o Thiago respondeu “the big boss required”, querendo dizer “a patroa mandou”. Só essa tradução “livre” pro inglês não existe aqui, e o chefe ficou “hã, big boss???”. Claro que o Thiago teve que explicar que a “patroa” era eu… haha

– mesmo que eu entenda quando alguém fala comigo e me pede algo, muita vezes demoro uns 5-10 segundos pra processar o pedido mentalmente. Não que eu traduza pro português (o que não recomendo a ninguém, o ideal é vc pensar em inglês senão a fluência fica muito prejudicada), é que demoro mesmo pra processar (o Teco não fica muito perto do Tico dentro do meu cérebro, pelo visto). Um dia desses, uma advogada daqui do escritório me pediu algo e eu fiquei com a minha tradicional cara de paisagem enquanto processava o pedido, pelo que ela tentou explicar, reformular, e eu disse que não precisava, que tinha entendido, no que ela ficou super sem graça achando que estava sendo rude ao tentar me explicar como se eu não falasse inglês suficiente. Depois fui explicar a ela, brincando, que não ligasse pra minha cara de paisagem, eu tendo a fazer isso mesmo sem perceber. Tenho que trabalhar melhor essa minha “poker face”…

– a minha manager no escritório veio me dizer que teria que faltar pois faria uma cirurgia pra remover o que eu entendi ser “gold bladder”. Eu não perguntei por vergonha, mas fiquei dias encafifada com que diabos era isso. Sabia que bladder é bexiga, e imaginava que o que ela tinha removido fosse a vesícula, mas procurando no dicionário a palavra “gold bladder” eu não achava tradução plausível de jeito nenhum. Até que dias depois acordei da minha imbecilidade e fui procurar “vesícula biliar” no dicionário. Adivinhem a tradução em inglês? “gallbladder”! Quase acertei…

– quando comecei a atender telefone no escritório sofria por antecipação. Depois de fazer um roteiro com as frases prontas que eu podia falar fui me acalmando e quando não entendo o nome/sobrenome de alguém (tipo, 90% das vezes) peço para soletrarem e fazem na boa (aliás até os australianos pedem pra soletrar, os sobrenomes são mesmo complicados, ainda mais por ter muito nome estrangeiro, de toda parte do mundo. Tudo bem que eu peço pra soletrar até Smith, o nosso “Silva”… haha). Até aí ok, o problema é que meu dom pra entender quando soletram está longe de ser 100%. E olha que eu sempre cantei a musiquinha do ABC em inglês pra treinar! Na verdade o meu maior problema é com “e”e “i”, cujos sons são invertidos em português. Então quando pinta essas letras no nome eu sempre emperro e paro pra pensar, nisso já perdi o resto da palavra… Agora to tentando anotar sem parar pra pensar e se errar o “e” ou “i” me lixar, melhor do que errar o resto do nome todo.

– eu sei e todo mundo sabe que “push” é empurrar e “pull” é puxar. Isso está tão no meu intimo que nem traduzo mais pro português (erro fatal) e já entendo automaticamente que “push” é pra empurrar. O problema é ultimamente eu leio “push” e penso “tenho que empurrar, mas espera, isso veio muito fácil na minha mente, acho que estou confundindo com o português, deve ser o contrário” e lá vou eu puxar a porta. Sim, eu tenho problemas, eu sei… rs

– uma coisa que faço sempre (e não só eu, diga-se de passagem, o Thiago também é mestre) é soltar uma palavra em português sem querer no meio de uma frase em inglês. Tipo: “I went to that beach yesterday, the one close to the airport, sabe?” Se vc fizer isso bem rápido pode passar desapercebido se a pessoa entender o contexto. Se for com alguém que conheça minimamente o português, as vezes não passa. Tenho uma amiga coreana que de tanto ouvir eu e Thiago falando português entre nós já consegue pescar alguma coisa, então ela sempre sabe e aponta (rindo, claro) quando falamos uma palavra em português no meio da frase sem querer.

– outro dia eu fui na farmácia comprar bicarbonato de sódio. Segundo o Google translator, em inglês seria baking soda. Achei estranho, faz sentido quando é pra usar na comida, mas o de farmácia (aquele pra azia)? Enfim, lá fui eu na farmácia, tentei procurar sozinha e claro que não achei. Chega a atendente: “posso ajudar?” e eu “sim, eu queria baking soda, aquele em pó que se mistura com água e se toma pra azia, sabe?” (explicar com mil detalhes o que vc quer dizer se antecipando pro fato de vc estar usando a palavra errada é clássico! haha) Ela pareceu entender, não me corrigiu e disse que ali não tinha, pra procurar na farmácia tal. Fui na outra farmácia, fiz a mesma pergunta e o cara entendeu, achou o produto, mas não sem antes mandar: “oh, you mean sodium bicarbonate?” Ah, tá, valeu, a palavra é praticamente igual ao português, vivendo e aprendendo…

Em tempo: não recomendo que quando vc não souber uma palavra tentar mandar ela em português com um sotaque em inglês, pois o mico costuma ser inevitável. Mas quando se trata de medicamentos vale a pena tentar, pois os nomes são muito parecidos, se não iguais, só muda a pronúncia e o sotaque.

– continuando o item acima, tentar colocar um “tion” no final da palavra em português e achar que é o equivalente em inglês é pedir pra pagar mico. Ou tentar usar uma palavra parecida que tem um significado diferente, como “promotion” quando vc quer falar de promoção de uma loja, que aqui se fala “sale” (se bem que em algumas raras ocasiões já ouvi “promotion” também, mas não acho que seja o mais certo).

Tem uma lista bem interessante dos chamados “falsos cognatossite” nesse site: http://www.sk.com.br/sk-fals.html

Outro site que vale a pena ler é http://www.teclasap.com.br/. Estou me divertindo horrores com as gafes contadas la, como essas:

Eu estava em Londres e havia me programado para viajar de ônibus para Liverpool. Como de costume, acabei perdendo a hora e fiquei desesperada. Um amigo australiano, que iria me acompanhar até a rodoviária, me convenceu, após muito esforço, a tentar trocar a passagem. Naquela época, eu acreditava que os ingleses eram muito rigorosos com essas coisas de horário e confesso que me deu vergonha de ir pedir para trocarem o bilhete. Na minha cabeça, seria um processo muito complicado e me daria mais dor de cabeça.

Como esse amigo insistiu muito, fui ao guichê e tentei explicar o meu caso. Disse: “Oh, I lost my bus! Could you change my ticket?” [Ah, perdi meu ônibus! O senhor poderia trocar a minha passagem?]. O homem no guichê, muito simpático, sorriu e me disse: “Yes, of course!” [Claro que sim!]. Mas antes de me dar outra passagem, ele parou, olhou para mim com um leve sorriso e perguntou: “So, how did you lose your bus? It’s a huge bus, you know? It’s quite difficult to lose such a big thing.” [Então, mas como você conseguiu perder o ônibus? É um ônibus enorme, sabia? Não é fácil perder uma coisa assim tão grande.] Sem entender o que havia de engraçado com a história, fiquei tentando explicar o que havia acontecido, ou seja, que eu tinha perdido a hora e, consequentemente, o ônibus. Mas os dois continuavam rindo. Finalmente, o australiano me explicou: “You miss your bus. You don’t lose your bus!” [Você perde o ônibus. Você não perde o ônibus!].”

Um amigo me disse que quando chegou aos Estados Unidos foi ao supermercado e perguntou ao balconista se eles tinham “preservatives“. Como o balconista não entendeu nada, ele voltou a perguntar: “Do you have preservatives?”, mas o cara não entendia mesmo. Como último recurso, ele acabou disparando um “you know, little shirts?”.

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